domingo, 28 de dezembro de 2014
Alguém.
Sinto um aperto tão grande dentro do meu peito. Uma mistura de sentimentos que eu pensava serem imiscíveis. O que sinto, prova o contrário. E esta junção de sentimentos, todos eles negativos, apoderam-se de mim de uma maneira catastrófica, destruidora, e muito dolorosa. Tanto que nem consigo transmitir por palavras o que sinto neste preciso momento. E isso revolta-me. Querer soltar todas as minhas más energias, e não conseguir. Querer desabafar, e não poder. Querer sentir-me livre, e não ver meios para tal. Para onde quer que vá, este sentimento de saturação e frustração constante acompanha-me. Para onde quer que me vire, esta perspectiva de solidão decide tapar-me a visão. Não importa o quanto eu tente fugir, acabo sempre por ser perseguida, encontrada e torturada por todas estas mágoas e angústias que teimam em corroer-me, pouco a pouco, até que não reste nada de mim. E essa probabilidade assusta-me tanto... Algo que me revolta imenso, é o facto de já nem conseguir fingir que estou bem. Há algum tempo atrás, apesar de também aí sentir esta miscelânea de emoções (ou a falta delas), eu tinha a força ou a coragem de fingir estar contente com a vida que levo e dizer "Estou bem." acompanhado de um sorriso nada dele verdadeiro. Mas agora nem disso sou capaz. Ou cansei-me de tentar ser. Simplesmente apercebi-me que esconder a verdade não a apaga, e muito menos a transforma em algo completamente diferente. Era bom que assim fosse. Mas não é, e eu cansei-me de dizer mil vezes "Estou bem" quando na realidade nada estava bem em mim. Cansei-me de sorrir para evitar explicações que nem eu mesma saberia dar. Cansei-me de ver toda a gente a procurar-me quando precisavam de um ombro amigo, e estar sempre pronta. Porque quando era ao contrário, quando era eu a precisar de um ombro amigo... todos decidiam ocupar-se com algo que os impedisse que cá estarem. E é assim que olho ao meu redor e me sinto cada vez mais sozinha. É claro que é bom ter alguém com quem passar bons momentos. Momentos divertidos, momentos inesquecíveis. Rir, fazer rir. Tudo isso é importante. Mas e quando precisas de chorar, precisas de um abraço reconfortante, ou de uma palavra amiga, e não encontras ninguém disposto a ser essa pessoa? Dói muito. Dói saber que estamos cá sempre para ajudar alguém a erguer-se depois de um queda feia, e quando somos nós a cair... ainda decidem pisar-nos mais. E também com isso eu me apercebi que as desilusões vêm das pessoas de quem menos esperamos que venham. Talvez por serem as pessoas que mais nos deviam surpreender. Criamos expectativas que nem sempre correspondem ao perfil da pessoa em questão. Eu só pedia que as pessoas não entrassem na minha vida para depois voltar a sair. Se não tencionam permanecer, para que decidem marcar-me? Se tencionam desiludir-me, para que decidem surpreender-me ao princípio? Odeio coisas que me fascinam e depois vão embora. Talvez por isso nunca tenha gostado de circos, espetáculos ou qualquer outra coisa finita no mundo. Daí estar tão em baixo... é difícil olhar ao nosso redor e encontrar algo que esteja connosco desde que nos lembramos, até que não temos a capacidade de nos lembrar-mos de nada mais. Algo que permaneça do nosso lado sem nunca ir embora, desde o início até ao derradeiro fim. Tudo acaba, e esse facto destrói-me. Devido à existência de "finais", já perdi muita coisa, muita gente. Coisas e gentes importantes, quase essenciais. Que estiveram comigo desde o início, e que não puderam estar até ao meu derradeiro fim, porque o derradeiro fim foi o que sofreram. E é por isso que cada vez me sinto mais sozinha. As coisas que mais companhia que me fizeram, desapareceram para sempre. E eu que estava habituada à sua presença, agora não consigo habituar-me à sua ausência. Torno-me ridícula de todos os dias em que me olho ao espelho e me sinto incompleta. Não fisicamente, mas mentalmente. Ao perder tudo isso, perdi-me a mim também. Não inteiramente, mas por partes. Quando me ligo a alguém ou algo, eu entrego uma parte de mim a esse alguém, ou a esse algo. Compartilho os meus medos, os meus fracassos, as minhas vitórias, os meus sonhos, as minhas alegrias e até as minhas tristezas. Sempre acreditei que quando partilhado, o peso fica menor e mais fácil de carregar. É irónico, que em tão pouco tempo, tanto possa acontecer. E é ainda mais irónico, que em tanto tempo, muito pouco possa acontecer da mesma forma. A vida é toda ela cheia de trocadilhos e emaranhados de mistérios, desafios, partidas. Coisas que nem todos são capazes de ultrapassar ou vencer. Pelo menos não sozinhos. E eu sou uma dessas pessoas. Daí estar tão incompleta. Falta-me alguém que me compreenda, que me apoie nos momentos maus, que viva comigo os momentos bons. Falta-me alguém que me limpe as lágrimas quando chorar de mais, e que chore comigo quando eu precisar de deitar fora todas as minhas más energias. Preciso de alguém que me faça rir, e que igualmente me repreenda quando não estiver a agir corretamente. Preciso de alguém que não me vire as costas quando as coisas se tornarem difíceis. Aprendi que nada na vida é fácil, e o que é fácil... não é verdadeiro, ou não vale a pena. Tudo o que se ganha fácil, também se perde fácil. Preciso de alguém que me abrace nas noites frias, que me diga "Tudo vai ficar bem". Alguém que me console. Alguém que me aceite. Alguém que não decida mudar-me só porque não sou perfeita. Alguém que me complete, ou que se complete a meu lado. Alguém que sorria ao ver-me sorrir, que chore ao ver-me chorar. Alguém que me ache incrível da maneira que sou. Alguém que percorra as distâncias mais longas, só para me ver. Alguém que me respeite, tal como eu farei. Alguém que me ame, alguém que eu possa amar. Alguém que ria comigo das coisas mais ridículas. Alguém que me dê a mão quando eu precisar de suporte. Alguém que caia comigo, e juntamente comigo se ponha de pé. Alguém que fique. Alguém que valha a pena. Alguém. Simplesmente, alguém.
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