quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Sem rumo
Tenho algo para dizer. Algo para transmitir. Não sei se vou conseguir fazê-lo da maneira correta, mas vale a pena tentar. O que tenho para dizer, é simples mas complexo. É fácil, mas difícil. É bonito, mas não tão bonito quanto isso. É complicado explicar, quase tanto como sentir. Sabem aquela sensação de perdição? Aquela sensação de andares sem rumo, apenas por andares. Estares perdido/a no meio de nem tu sabes o quê, nem tu sabes onde, nem tu sabes porquê. Eu estou assim, meio perdida e meio refugiada do mundo. Não sei o que é pior. Não saber onde estou, ou saber onde estou e sentir que não pertenço ali. Já sofri imenso por ter este sentimento dentro de mim. Esta raiva de querer encontrar o meu caminho, e só encontrar becos sem saída. Esta angústia de encontrar portas, e depois de muita alegria, ver que elas estão trancadas. Esta frustração de estar cansada de caminhar, mas estar ainda mais cansada de estar parada. Mas sabem o que mais me cansa? Estar cansada de tudo. E é por isso que simplesmente, parei de tentar. Tentar encontrar coisas que mais cedo ou mais tarde acabam por me encontrar a mim. Tentar fugir de coisas que mais tarde ou mais cedo acabaram por me apanhar. Não posso fugir desta sensação de estar perdida, mas posso mudar a minha perspectiva até que esse sentimento acabe por mudar também. Sabem, quando me sentia perdida como agora, sempre me imaginei no meio do oceano, sem nada nem ninguém para me ajudar. Presa, mas livre. Perdida, mas isolada. Prestes a afogar-me, mas com a possibilidade de simplesmente me deixar levar pelas ondas. Digamos que na vida, temos escolhas para fazer, opções para tomar. Eu escolhi relaxar, em vez de ficar nervosa. Eu escolhi aproveitar a paz que a solidão também pode conter, em vez de me sentir sozinha na realidade. Porque nunca se está sozinho, se estivermos bem com nós próprios. Em vez de me afogar, simplesmente decidi aproveitar a boleia e deixar-me levar. Fiquei à deriva, e aqui estou eu. Talvez um dia encontre o meu rumo, talvez um dia encontre uma porta que não esteja trancada, ou um caminho que não me leve a um beco sem saída. Talvez um dia eu saiba quem sou, talvez um dia eu me encontre. Talvez um dia eu sinta que pertenço a algum lugar, onde eu eventualmente saiba onde estou, quem sou, como sou. Talvez um dia. Mas enquanto esse dia não chegar, posso apenas aproveitar os que vêm, passam e vão. E não é em vão que o faço.
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