sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Tu és amor.
É engraçado como já nem o calor do sol consegue descongelar e aquecer o meu coração. A maior frieza que se pode sentir é aquela que nem com o mais quente dos sois consegue desaparecer. Lá fora o sol brilha. Mas em vez de me iluminar o caminho, só me faz sentir mais cega, fazendo-me tropeçar até no mais escuro recanto das maiores claridades. Os meus dias têm sido uma constante noite. Daquelas noites de inverno, gélidas e poderosas, quase tão frias como me tenho sentido. Acho que és tu quem me causa esta frieza gélida, este inverno duradouro, esta noite diária. És tu, meu amor, és tu. Amor, afinal o que é isso? O que é o amor? Se amor é este frio que sinto interiormente, se amor é acordar com o coração cheio de um enorme vazio, se amor é a razão de inúmeras insónias e tristezas, então certamente que não quero amar. E é aí que habita a verdadeira questão. Porque te amo, se não te quero amar? Porque te desejo, se não te quero desejar? Porque habitas tu no meu pensamento noite e dia sem cessar, se lá no fundo só quero parar de pensar em ti? Porquê? Acho que só pelo simples facto de ser contraditório, o amor se contraria. Um ciclo vicioso de ditos e contraditos. Paixões e despaixões. Amar sem querer, ou querer amar e não conseguir. Qual deles o pior? Estes são sem dúvida dois problemas com os quais não consigo lidar. Porque por mais dolorosa que seja a tua ida, é com a tua vinda que eu sinto mais alegria. Por mais mal que me faças, é a teu lado que estou bem. Por mais que não te queira, és tu quem eu mais quero. Não quero querer-te, mas sem querer eu te quero. E isso é frustrante. Ainda que tenhas partido o meu coração em mil pedaços, eu pegaria em cada um deles e voltaria a colocá-los na tua mão forte e destemida, um por um. Nessa tua mão com a qual a minha encaixa na perfeição, como se de um puzzle se tratasse. Alguns encaixes simplesmente têm a mesma forma, não querendo necessariamente dizer que foram feitos para uma determinada peça. E isso é ainda mais frustrante e contraditório do que tudo o resto. Não saber se sou eu a peça que queres para te completar. Saber que mesmo não te querendo, eu te quero, e sabendo que mesmo não querendo saber, eu quero saber se também tu me queres. Apesar de seres quem mais me destrói, és tu quem mais tem a capacidade de me consertar. Talvez amar seja isso mesmo. Talvez não. Talvez nunca chegue realmente a saber o que é amor. Mas sei que és tu que surges no meu pensamento ao escutar essa palavra. És tu. Talvez não saiba o que é o amor, mas sei que tu... tu és amor.
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