domingo, 4 de janeiro de 2015

05:35

São 05:35 da manhã. Tenho aulas amanhã bem cedo, ou melhor, daqui a menos de 3 horas. Mas aqui estou eu, acordada. Não consigo dormir, não consigo parar de pensar em ti. Provocas-me insónias. E é irónico. A pessoa que mais te faz dormir melhor nuns dias, é a mesma que te tira o sono noutros. Não sei o que posso eu fazer para te tirar da minha cabeça, nem que seja por um segundo. Um mísero instante em que eu pare de ouvir a tua voz ressoar nos meus ouvidos, como se fosse a primeira vez. Um mísero instante em que eu pare de ver a tua cara, ou imaginá-la diante dos meus olhos. O teu sorriso aberto, a tua pele tentadora, os teus olhos conquistadores, a tua voz arrepiante, o teu cabelo fascinante, tu. Tu. Por um único e mísero instante, eu queria poder parar de pensar em ti. Queria poder parar de te amar. Mas não consigo. E isso é tão frustrante, que me faz passar noites em branco, sentada em frente a uma tela branca e vazia, a tentar demonstrar por escrito o que não consigo demonstrar por palavras ditas. Foste a pessoa que mais me marcou, a que mais me fez sorrir, a que mais me completou, a que mais me deu a conhecer o meu próprio mundo... e ao mesmo tempo, foste a pessoa que mais me roubou toda a alegria do mundo, a que mais deixou cair, a que mais me magoou, a que mais me fez chorar. Tal como agora. Quero controlar as lágrimas, mas não consigo. Porque por mais que eu saiba que não as mereces, eu não consigo parar de me lembrar que um dia foste o motivo do meu maior e mais sincero sorriso. Aquele que eu deixava escapar à toa, só de te ver ao longe, ou de ouvir a tua voz do outro lado do telemóvel horas e horas seguidas, perto do meu ouvido. E faz-me confusão como foste capaz de esquecer isso. O que eu tento fazer à meses, tu conseguiste fazer em segundos. Será que fui assim tão insignificante para ti? Cada vez mais me convenço que sim. Se não fosse, não teria sido tão fácil para ti esquecer o que passámos, o que dissemos, o que prometemos, o que fizemos, o que ouvimos, o que rimos, o que vivemos. Foram os melhores meses da minha vida, e saber que para ti não significaram nada, isso destrói-me. Mas não me destrói de uma vez. Destrói-me lentamente, por instantes, e cada dia mais dolorosamente. Só queria acabar logo com isto, parar de sentir esta mágoa, este desespero, este sentimento. Só queria ver-te e não morrer por dentro. Só queria ouvir a tua voz e não me sentir incomodada. Só queria poder ver-te como um ser indiferente na minha vida, tal como eu acabei por ser para ti. Só queria poder seguir em frente, tal como fizeste. Mas não consigo. E peço desculpa se te amo tanto a ponto de não conseguir simplesmente parar de te amar. Chama-me egoísta, chama-me idiota, chama-me o que quiseres. Desculpa se sou chata, desculpa se me importo. Desculpa se não paro de pensar em ti, desculpa se fico aborrecido quando tens atitudes estúpidas comigo. Desculpa se não significo o mesmo para ti. Lamento tudo isso. Mas sabes o que não lamento? Não lamento o que vivemos. E pode parecer estúpido, mas não lamento ter-me apaixonado. Mesmo isso tendo sido a coisa que mais me fez chorar, foi também a coisa que mais me fez sorrir. Nunca ninguém me marcou tanto como tu. Nunca ninguém me fez olhar para as coisas mais idiotas e rir delas por me fazerem lembrar momentos nossos. Não lamento ter-te conhecido, e não lamento que nos meus piores momentos tenhas sido tu que me fizeste sentir a melhor pessoa do mundo. Não lamento que me tenhas feito duvidar de todas as minhas poucas e únicas certezas. Não lamento, porque te amo.

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