quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
3 anos, 2 meses e 21 dias.
Faria hoje 54 anos, se fosse vivo. O meu tio. A melhor pessoa que conheci na minha vida. A pessoa mais forte, confiante e determinada que tive o prazer de conhecer. A pessoa mais divertida, pura e humilde que já alguma vez existiu neste mundo. A pessoa que cuidou de mim como um pai, que me protegeu como um irmão, que me acompanhou como um amigo, e que nunca me abandonou. Ele era tudo. Ainda me lembro como se fosse ontem, de o ver entrar em casa e pôr-se a dançar em frente à televisão enquanto eu via os meus programas preferidos, só para atrofiar comigo. Ainda me lembro como se fosse ontem, de ele me tirar a comida às escondidas do prato quando eu já não queria comer mais, só para a minha tia não ralhar comigo. Ainda me lembro como se fosse ontem, de ele partir sem querer os jarros preferidos da minha tia e depois rir-se comigo à socapa. Ainda me lembro como se fosse ontem de o ajudar a fazer cigarros, numa maquineta super engraçada. Ainda me lembro de jogar com ele às cartas, e fazer batotas que ninguém conseguia topar, como por exemplo ter um outro baralho de cartas debaixo da mesa escondido para tirarmos cartas ao nosso gosto e privilégio. Ainda me lembro como se fosse ontem. A verdade é que não foi ontem. Foi há 3 anos, 2 meses e 21 dias, no dia 17 de Outubro de 2011, às 07:14 da manhã. Pode ter sido há imenso tempo, mas lembro-me como se fosse ontem e recordo com terror todos os momentos daquela manhã. O puxar violento da porta, os gritos que chamavam o nome da minha tia. Os passos da minha tia apressados para abrir a porta. As perguntas da minha tia às quais ela não obtinha resposta. Ainda me lembro como se fosse ontem o terror, o pânico, o medo que senti naquele momento, de pé em frente à porta fechada do meu quarto, a tentar ganhar coragem para encarar a realidade que me esperava lá fora. Quando cheguei ao sítio do acontecimento, só me deparei com o seguinte cenário: o meu tio deitado, e imensa gente à volta dele a tentar ajudá-lo. A minha tia aos gritos, o meu primo a chamar a ambulância. Recordo com tristeza o olhar que o meu tio me deu. O último contacto que tivemos. Aqueles olhos esbugalhados e vidrados em lágrimas, que me olhavam como uma despedida. Em seguida, desviou um olhar, talvez para não me magoar mais. Não tinha reação, não conseguia mexer-me. Só queria acordar na minha cama, e ver que tudo não passara de um terrível pesadelo traiçoeiro. Mas não acordei. E ainda hoje tento acordar, sem êxito. O meu tio era a melhor pessoa que tinha, e nunca lhe pude dizer isso. Nunca lhe pude agradecer, nunca o pude abraçar, nunca lhe pude dizer o quanto realmente estou grata em o ter tido na minha vida, o quanto o adoro. Tenho saudades, mais do que as que são possíveis a alguém ter na totalidade. Para além de tio, pai, amigo, irmão, e confidente... agora é também o meu anjo da guarda, a minha estrela guia, o meu porto de abrigo, a minha fonte de forças. E para sempre será a minha inspiração e maior orgulho. <3
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